quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Seleção Brasileira da Copa de 1970 e a Ditadura Militar

Quem nunca ouviu a música tema da Copa do Mundo 1970, que emociona até quem nasceu em época posterior a competição, e não se sentiu empolgado com um sentimento de nacionalismo aflorado com a esperança de que um dia o Brasil vai dar certo? A letra da música “Pra frente Brasil” nos conduz a imaginar que a nação esta trilhando no caminho certo e que os governantes (da época), nada mais queriam do que nos “salvar” dos riscos que corríamos com os “comunistas malvados” que aprontavam uma enorme baderna sem um motivo aparente só para atingir a moral e os bons costumes ditados pela sociedade elitista da época.

A música é bem clara quanto ao apelo do governo militar de que a população deveria se unir para seguir em frente e não deixar quebrar a corrente: “noventa milhões em ação... É aquela corrente pra frente... Parece que todo Brasil deu a mão...” fazendo uma analogia dos jogos da seleção nacional de futebol no mundial do México com a luta do governo contra a “ameaça vermelha” citada acima.

Vamos aos fatos históricos:

No torneio sul americano das eliminatórias do mesmo mundial, no ano de 1969, João Saldanha era o técnico da esquadra canarinho e classifica o Brasil, com Pelé em campo, para o torneio máximo do futebol mundial organizado pela FIFA. João Saldanha montou a base dos melhores jogadores brasileiros, preparados e organizados para que a seleção brasileira trouxesse a posse definitiva da taça Jules Rimet.

A situação política no país era tensa, no mesmo ano da disputa das eliminatórias foi instituído o AI5 (Ato Institucional número 5), um ato autoritário imposto pelo então Presidente da República Arthur da Costa e Silva, que praticamente sufocava por completo os direitos de livre expressão do cidadão e que prometia uma verdadeira “caça as bruxas” contra aqueles que eram contrários ao governo militar e seus propósitos, coibindo por completo as ações dos movimentos sociais.

O general Costa e Silva afastou-se do governo por problemas de saúde e em 30 de outubro de 1969 assume Emílio Garrastazu Médice que era entusiasta do futebol e entendia muito bem como aproveitar a paixão nacional pelo esporte para fazer a propaganda pró-ditadura, provocando, inclusive a saída do técnico João Saldanha (que nutria uma grande simpatia aos movimentos de esquerda e há quem diga de uma estreita ligação dele com o PCB), exigindo a convocação de Dário Pereira (o famoso Dadá Maravilha). Com personalidade forte o comandante da seleção afirmou que o presidente deveria se preocupar em escalar o ministério e que o time que iria para Copa do Mundo era preocupação da comissão técnica, custando assim seu cargo frente à CBD (atual CBF), que era presidido pelo famoso futebolista João Havelange (que seria presidente da FIFA de 1974 a 1997), quem foi chamado para assumir a vaga foi Zagallo, que havia sido campeão da copa como jogador em 1958 e 1962, vindo conquistar o título de 1994, no mundial dos EUA como auxiliar técnico.

O Brasil vivia período de incertezas políticas e os ânimos precisavam ser acalmados, para isso Médice usou uma tática dos imperadores romanos para que se esquecesse do período turbulento dos anos de chumbo: A política do “pão e circo”. A CBD recebeu todo o respaldo governista para que o time fosse comparado com o próprio país, ficando a imagem de que se o Brasil desse certo no futebol, também daria certo no regime proposto pelos militares até então, mostrando que a ditadura não era tão ruim quanto se mostrava (na visão da propaganda militar).

O Brasil tinha em seu elenco o melhor jogador de todos os tempos (menos para os argentinos que elegeram Maradona.) que foi aclamado rei: O Pelé, que era o modelo ideal de atleta e disciplina na qual se pregava na ditadura, era o principal jogador do elenco e todas as atenções estavam voltadas para ele, mostrando não só sua habilidade técnica, mas também sua postura de um verdadeiro cidadão brasileiro (para os padrões da propaganda proposta) disposto a defender a causa nacional na qual lhe foi imposta sendo submisso a um propósito maior, de todos em defesa do Brasil contra os subversivos que ameaçavam a ordem nacional, enfim, a ditadura mostrava a que veio e utilizou do artifício do esporte, sobretudo o futebol, para aplicar sua ideologia do milagre brasileiro. O desafio esperado por muitos, do alto escalão governamental e da CBD, era o duelo contra a URSS que não foi possível por causa do Uruguai, que derrotou os soviéticos nas quartas de final, que poderia fortalecer ainda mais a propaganda, se a seleção brasileira derrotasse os vermelhos.

O Brasil saiu vitorioso, conquistando em definitivo à taça Jules Rimet, fortalecendo a ditadura e CBD, mostrando que a força imposta, pelo braço de ferro dos militares brasileiros, de certa forma penduraria por mais algum tempo, precisamente mais 14 anos, onde muitos brasileiros e o país, como um todo, pagou muito caro, colhendo, até hoje, o fruto das seqüelas deixadas pelos militares e pensamentos como: “O Brasil só dá certo no futebol...”.

Profº Frederico Machado F Rodrigues.

terça-feira, 31 de março de 2009

Produzir conhecimento

Aos leitores,

Vamos produzir conhecimento.

Escreva seu texto, artigo e/ou opinião e publique.

O espaço esta aberto a todos:

professor.frederico.rodrigues@gmail.com

Abraços!

Professor Frederico Machado F Rodrigues

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ainda somos colônia (não fisicamente, mas mentalmente)?

Podemos verificar dentro da seguinte questão:

Qual o modo de vida que o brasileiro mais copia em todo o mundo, considerando nossa formação de estrutura familiar, mercado e etc.?

O nosso modelo é copiado do estilo “American Way Of Life” que nos direciona a adotarmos uma cultura estadunidense, como por exemplo, a corrida por aquisição de bens de consumos, duráveis e não duráveis bem como nossa alimentação dos chamados “fast food.”.

Os filmes do mercado estadunidense que nos é imposto representam o conto de fadas de uma propaganda de que como se vive nos EUA, e isso esta inclusa suas músicas.

Quero deixar bem claro, que eu não sou xenofóbico e que sou a favor de intercâmbios culturais, tanto regionais como internacionais, mas devemos valorizar o que nos é natural de costumes de nossos antepassados e não menosprezar nossa própria cultura.

Não sei se vocês perceberam, mas quem valoriza mais nossa cultura?

Um brasileiro, nato, ou um estrangeiro?

O estrangeiro entende muito mais de nossas culturas e seus significados do que nós mesmos.

Lembrem-se, a primeira maneira de dominação de um povo para outro é impor a cultura do dominante.

Não estou falando que devemos de parar de tomar Coca Cola ou de parar de comer sanduíches, sobretudo Mac Donald´s, ou deixar de usar calça jeans, mesmo porque eu faço tudo isso e gosto também.

Mas não podemos abandonar o nosso arroz com feijão, para quem é do norte, a vaca atolada ou para quem é do sul, a polenta ou para quem é do Centro, aquele arroz com pequi e etc.

Nós como acadêmicos e pensantes devemos ensinar nossos semelhantes a pensar...

Devemos conscientizar os nossos que devemos, sim, ter relações harmônicas com os demais povos e nações em todo o mundo, mas sem perder nossa soberania.

Profº Frederico Machado F Rodrigues

quinta-feira, 26 de março de 2009

Os aspectos políticos e sociais que precederam da transferência da capital do estado de Goiás

Existem determinados questionamentos da instalação da capital desde a época das capitanias, quando já existia uma rivalidade entre os arraiais de Sant´Ana (que viria a se tornar Goiás) e Meia Ponte (atual Pirenópolis), sendo que a última alegava melhor colocação geográfica. Mesmo com os questionamentos, o Conde de Sarzedas, governador da capitania de São Paulo, à qual Goiás pertencia, optou por instalar a primeira vila da região no Arraial de Sant´Ana, mudando o nome para Vila Boa em 1737.

Com a instalação da Capitania de Goiás em 1749, a questão volta à tona com o Conde dos Arcos (D. Marcos de Noronha), alertando o governo português sobre a realidade da região e a conveniência de transferir a capital para Meia Ponte, pelo mesmo motivo alegado no parágrafo anterior. Mesmo com as alegações dos motivos, a Coroa Portuguesa, não se mostrou disposta a bancar a transferência, alegando o alto custo na construção de prédios públicos no possível processo de mudança de capital.

Com o processo de independência, em 1822, a questão foi novamente levantada pelo presidente da província1, Miguel Lino de Morais, dirigindo uma mensagem a Assembléia Geral no Rio de Janeiro, na qual o nacionalismo em Goiás se acentuou agravando a crise da aversão portuguesa2 em toda província, principalmente em sua capital. Ainda no século XIX, mais precisamente no segundo reinado, surge a figura de Couto Magalhães, propondo a transferência da capital para um lugar mais adequado. Segundo ele:

Goiás não só não reúne as condições necessárias para uma capital, como ainda reúne muitas condições para ser abandonada. (apud. Palacín, 1976:13).

Com a proclamação da república os reflexos de mudanças foram apenas nos setores administrativos e políticos, uma vez que permaneceram as elites dominantes; sendo assim, o povo continuou esquecido e marginalizado tendo apenas seu nome (povo), usado pelos políticos para baixarem seus decretos (PALACÍN e MORAIS, 2006:85). Algumas transferências de capitais estaduais já haviam acontecido; como em Minas Gerais, que transferiu sua capital de Ouro Preto, núcleo urbano da “era do ouro”, para Belo Horizonte, no ano de 1897, após vários fatores contrários.

O surgimento de lideres políticos como Pedro Ludovico Teixeira, que aos 19 anos era orador da turma do ensino secundário do Colégio Lyceu de Goiás (LIMA FILHO, 2007:57). Em sua juventude conheceu personagens históricos e intelectuais como; Olavo Bilac, Lima Barreto, dentre outros, que o influenciaram com idéias modernistas, aprimorando sua vida cultural em tempos de estudante da faculdade de medicina na cidade do Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, Pedro Ludovico, se tornou um modernista e desenvolvimentista e, depois de formado, mudou-se para a cidade de Bela Vista e posteriormente para Rio Verde, aonde se casou com a filha de Antônio Martins Borges (senador oposicionista do caiadismo), Gercina Borges. Sobre influência do sogro e com a influência cultural modernista, adquirida como estudante no Rio de Janeiro, Pedro Ludovico passou a se interessar intensamente pela política, é lógico, “herdando” a visão do anti-caiadismo no estado, dentro do período da “velha república".

A “velha república” (1889 a 1930) foi um período de grandes transformações socioeconômicas. Mesmo com muitas transformações no país, a população brasileira vivia em condições de verdadeira miséria, o que fez eclodir algumas revoltas no Brasil, sendo algumas em Goiás; como o movimente messiânico liderado por Santa Dica. O movimento reivindicava a posse da terra e melhores condições de trabalho para quem nela produzia. Isso fez com que a elite proprietária de terra, normalmente aliada ao caiadismo, combatesse duramente esses grupos. As elites locais contavam com o apoio do governo central, que ajudou a combater outras revoltas do gênero em todo o Brasil, sendo a mais famosa a de Canudos. Dentre essas revoltas, podemos citar alguns exemplos como a Coluna Prestes, seu líder era chamado de: o cavaleiro da esperança, e, passou por algumas cidades do estado de Goiás.

O mundo verificou a crise do modelo capitalista-liberal, quando em 1929 aconteceu a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque (EUA), o que refletiu diretamente na economia brasileira e, principalmente em seu principal produto de exportação agrária; o café. De acordo com o contexto político-econômico do mundo, na época, surgiram às oligarquias dissidentes que mostravam a insatisfação com o governo federal, referente à crise do café. A intolerância com a situação dominante, no governo federal, se agravou quando o presidente Washington Luís apoiou para as eleições presidenciais o candidato Júlio Prestes, indicado pelos paulistas, rompendo com a famosa política do café com leite3, sendo que o atual presidente fora indicação dos paulistas nas eleições anteriores.

Com a insatisfação de oligarquias dissidentes com a crise, formaram a Aliança Liberal que disputaria as eleições presidenciais no ano de 1930 indicando o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas para presidente e o governador da Paraíba João Pessoa para vice. A chapa que era formada pelos dissidentes, por Rio Grande do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro e Minas Gerais; não sai vitoriosa do pleito, tendo o candidato da situação, Júlio Prestes, como vencedor por conta de um resultado duvidoso, deixando a situação política da sucessão presidencial tensa. Com o assassinato de João Pessoa, que era vice de Getúlio, o estopim que eclodiu a revolta foi lançado em 24 de outubro daquele ano, com Washington Luís sendo deposto e Júlio Prestes impedido de tomar posse. Getúlio é empossado presidente provisório, em uma manobra política, aonde aconteceu tudo que ele precisava para atingir seu objetivo, nem que fosse pelas armas.

Dentro do mesmo período em Goiás, líderes oposicionistas pró-Getúlio e imprensa faziam críticas severas ao caiadismo, dentre eles o já citado Pedro Ludovico, que juntamente com o deputado Ricardo Campos, sob influência do sogro, senador Antônio Martins Borges, fundaram o jornal “O Sudoeste” e posteriormente assume o movimento revolucionário em Goiás. Em outubro de 1930, Pedro Ludovico, organiza um grupo armado que no dia 11 de outubro entrou em combate com as tropas caiadistas nas proximidades de Rio Verde. Com cerca de 110 homens, a resistências das tropas ludoviquista-varguista não era suficiente, numericamente, para romper o bloqueio das tropas caiadistas (Chaul, 2001:51), sendo assim, Pedro Ludovico se rendeu e foi preso; restando-lhe apenas a esperança do sucesso revolucionário no restante do país.

Apesar das derrotas da resistência de Goiás, os mineiros avançavam com êxito adentrando em Goiás e ocupando várias cidades goianas inclusive a capital Goiás, com a revolução no resto do país se encontrando vitoriosa. Detido e a caminho da cidade de Goiás, Pedro Ludovico recebia a notícia da vitória revolucionária e mesmo estando livre, ele fez questão de chegar à capital, se tornando o principal símbolo da revolução de 1930 em Goiás, e conseguia derrotar a oligarquia caiadista. A atitude de Pedro Ludovico, após sua liberdade, de continuar a viagem à cidade de Goiás, demonstra o triunfo e a euforia de uma vitória, não só de resistência, mas uma vitória política no surgimento de uma nova liderança regional, que simbolizava a esperança da modernidade e desenvolvimento de novos tempos.

Com a vitória do movimento de 1930, Totó Caiado e seus familiares abandonaram a cidade de Goiás e Pedro Ludovico ocupou o Palácio. À oportunidade o médico Carlos Pinheiro Chargas fez um discurso mencionando a necessidade de mudar a capital. (LIMA FILHO, 2007:65).

A revolução de 1930, sem dúvida, foi principal fator que contribuiu para a transferência da capital do estado para Goiânia, pois existia uma nova perspectiva política de modernidade. O reduto caiadista na cidade de Goiás não estava totalmente aniquilado e a transferência da capital era uma maneira do governo Pedro Ludovico se fortalecer e, conseqüentemente enfraquecer qualquer influência política da antiga oligarquia. Enquanto outras tentativas de transferência de capital não obteve êxito, a de Pedro contava com apoio de Getúlio, que apostava em um projeto desenvolvimentista da “marcha para o oeste” e também de não depender de favores administrativos, de partidos políticos, da câmara e nem dos votos dos eleitores, ou seja, o novo governo era autônomo (LIMA FILHO, 2007:68).

Já dentro do governo de Pedro Ludovico, fora feito a primeira menção de transferência realizada na cidade de Bonfim (atual Silvânia) em julho de 1932. Em outubro do mesmo ano Pedro Ludovico viajou para o Rio de janeiro para formalizar o apoio político e financeiro do governo federal e em dezembro de 1932 foi assinado o decreto 2737, nomeando a comissão que escolheria o local para a construção da nova capital. A comissão era presidida por D. Emanuel Gomes de Oliveira (arcebispo) e contava com o secretário de governo Colemar Natal e Silva como membro.

O local escolhido para a realização do empreendimento desenvolvimentista foi o município de Campinas (hoje um dos setores históricos da capital), as margens do córrego Botafogo nas fazendas: Crimeia, Botafogo e Vaca Brava pelo decreto 3359 de 18 de maio de 1933. No dia 24 de outubro de 1933 (data da revolução de 1930), e feito o lançamento da pedra fundamental para a construção de Goiânia. Iniciou-se a ousada obra que simbolizava a esperança de novos tempos de modernidade e desenvolvimento inserido dentro do projeto de Vargas, colocando o estado de Goiás no centro das atenções políticas. Fortalecendo o populismo de Vargas e seu aliado regional, Pedro Ludovico Teixeira, chamado pelo professor Pereira Zeka de “artista do impossível” (Lima Filho, 2007: 56), comparando o líder goiano com o presidente Juscelino Kubitschek, que posteriormente viria a realizar outro empreendimento ousando que seria a construção de Brasília, o que acelerou mais ainda o processo de desenvolvimento da região Centro Oeste, especialmente o estado de Goiás.



Profº Frederico Machado Fagundes Rodrigues




Bibliografia

CORREIA, Salatiel Pedrosa Soares. A Construção de Goiás – Ensaio de Desenvolvimento Político e Regional. 1ª ed. Goiânia: UCG. 2006.

LIMA FILHO, Manuel Ferreira. MACHADO, Laís Aparecida. Formas e Tempos da Cidade. 1ª ed. Goiânia: UCG e Cânone, 2007.

OLIVEIRA, Eliezer Cardoso. História Cultural de Goiânia. 1 ed. Goiânia: Alternativa, 2003.
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1 Título que equivale a governador do estado.
2 Movimento anti-lusitano no Brasil, na qual ajudou na decisão da abdicação do trono pelo Imperador D. Pedro I.
3 Acordo, entre a oligarquia rural de São Paulo (cafeeira) com a de Minas Gerais (leiteira), para a alternância de indicações para a presidência da república nas eleições, que durou de 1889 a 1930.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Influências da Arquitetura do Século XVIII

Entre as cidades que possuem construções coloniais encontramos Pilar de Goiás, que não é mais conhecida, porém, possui características arquitetônicas próprias do período de sua fundação sendo também umas das poucas que utiliza a tecnologia do enxaimel (que por muitos é confundido como um estilo alemão, enquanto que na verdade é uma técnica) tendo os moradores conhecimento da técnica ainda hoje.

De Pilar de Goiás elegi como imagem para apresentação a Casa de Câmara e Cadeia, por apresentar as características similares do enxaimel que também foi empregado na Construção da Capela/Igreja Matriz de Nossa Senhora de Aparecida de Goiânia, obra iniciada entre 1923 e 1927.

Entre as duas, além do período de construção, distingui-se também os motivos – sendo um religioso, outro oficial – e também peculiaridades como os robustos alicerces em pedras que apresenta a arquitetura colonial de Pilar de Goiás.

O que há em comum além do que já citado acima são:

-Ausência de Portada – as portas não possuem ornamentos;
-Arquitetura simplificada e com paredes lisas;

Teci minhas comparações em obras de funções diferentes o que não dá muita margem para encontrar maiores dados em comum, mas que evidencia toda influência que arquitetura colonial ainda continuou a exercer nos séculos posteriores.

Luis Augusto de Paula Lacerda - Acadêmico de Artes na Universidade Federal de Goiás e Supervisor na Consultoria de Relacionamento na Atento Brasil S/A

terça-feira, 24 de março de 2009

Para entender a crise


Na primavera do ano de 2008, mais precisamente no mês de setembro, eclodiu nos Estados Unidos uma das mais fortes crises econômicas da história contemporânea. Essa balbúrdia se anunciava meses antes, em meados de 2007, quando o mercado imobiliário americano atravessava maus momentos em virtude do alto índice de inadimplência no pagamento hipotecário. Instituições de prestígio internacional como o Bearn Stearns, Merry Lynch, Lehman Brothers, City Group e a seguradora AIG acabaram não resistindo e quase chegaram à falência, não fossem os processos de estatização e a aquisição por empresas de capital estrangeiro.

A notícia da quebra destes bancos de investimento atravessou o Atlântico e chegou à Europa e Ásia. Temendo grandes perdas e alvoroçados por especulações que surgiam a toda hora, investidores ao redor do mundo, colocaram rapidamente suas ações à venda nas Bolsas de Valores. O impacto dessa ação foi devastador. Dow Jones, Frankfurt, Tóquio e Bovespa registraram índices muito baixos de operabilidade, adotando inclusive o circuit breaker(1) várias vezes ao dia.

Outro fator foi predominante para que o império Yankee chegasse à beira do precipício: o financiamento da guerra no Iraque. O alimento das cenas de horror e destruição no oriente médio custou aos EUA a cifra de U$3 tri - número equivalente à reserva de divisas da República Popular da China.

Apoiado na campanha antiterror e ainda alegando a existência de depósitos de armas químicas e biológicas em solo iraquiano, o ex-presidente republicano George Walker Bush enviou ao oriente médio em 2003, cerca de vinte mil soldados. A chegada das tropas estadunidenses ao Iraque representou um marco na era da tecnologia e da globalização. O mundo pode assistir ao vivo e de todos os ângulos, uma chuva de mísseis disparada contra a capital Bagdá.

Em terra, um verdadeiro massacre de civis cujos corpos confundiam-se com os de guerrilheiros e militantes sunitas – correligionários do ditador Saddam Hussein. Com a morte de seus principais ministros, a estrutura do poder iraquiano foi totalmente desfacelada, culminando na prisão do líder máximo do país.

Inglaterra e França, nações que tradicionalmente mantém relações estreitas com Washington, se opuseram à invasão. Após a tomada do controle em Bagdá, o governo Bush classificou a guerra como um grande passo rumo à democratização do Estado iraquiano. No entanto, protestos em todo o mundo rechaçaram a ação militar americana, desmoralizada pelas armas de destruição em massa jamais encontradas.

No aniversário de seis anos da derrubada de Saddam, os Estados Unidos contam os prejuízos da guerra. Seus títulos da dívida pública externa acumulam U$10 tri. Afundada numa onda de pessimismo, a indústria automobilística nacional começou a perder espaço para concorrentes asiáticas como a Hiunday e a Toyota. Em decorrência da queda brusca na venda de automóveis, empresas do calibre da GM – gigante do setor – anunciaram seus planos de demissão de funcionários. O desemprego da população americana já chegou ao índice de 7%.

No último trimestre de 2008, na tentativa de socorrer a economia norte americana o governo Bush em conjunto com o Fed(2) , presidido pelo economista Ben Bernank, adotou medidas significativas e baixou a taxa básica de juros a 2,0%. Tentando prevenir uma grave recessão no setor consumidor, o senado estadunidense aprovou um pacote de aproximadamente U$700 bi, para injetá-lo no mercado com o intuito de aquecer a economia e recuperar a liquidez do fluxo cambial.

Em janeiro deste ano, a população americana passou por uma transição histórica de governo. Pela primeira vez, um negro governará os Estados Unidos da América. Barack Hussein Obama assume a Casa Branca em meio a uma nuvem de euforia e esperança. Resta agora a nós, simples mortais, aguardar e torcer por um desdobramento positivo das articulações políticas do nobre democrata havaiano.


Allan David Silva - Acadêmico de jornalismo na Faculdade Araguaia e Consultor de Relacionamento na Atento Brasil S/A.



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(1)Circuit breaker - Uma condição de negociação que é adotada pelas Bolsas de Valores. Através do circuit breaker, o pregão é imediatamente interrompido toda vez que o índice representativo dos preços de um conjunto de ações tenha queda substancial. No caso da Bolsa de Valores de São Paulo, o circuit breaker é adotado quando o Ibovespa tem uma queda de 10%.

(2) FED – Banco Central Americano

segunda-feira, 23 de março de 2009

O discurso Neoliberal diz que a liberalização dos mercados também beneficiaria em longo prazo os pobres. Essa premissa se mostrou verdadeira?

Bem...

Esse questionamento se mostra pertinente pelo momento econômico que estamos vivendo no mundo.

O discurso neoliberal se demonstrou uma verdadeira farsa ao longo do processo econômico no que se diz respeito aos pobres.

O argumento dos neoliberais é que o estado “empaca” as ações econômicas e o livre comercio “liberta” para o desenvolvimento tecnológico onde a competição estimula a produção e o consumo de melhor qualidade...

Vamos lá!

Se o Estado ou Nação não interfere dentro da questão econômica e tudo é privatizado, inclusive a educação, esse mesmo Estado ou Nação não investirá recursos para que os menos favorecidos tenham seus direitos respeitados.

Segundo Marx, o Estado é o mediador das lutas de classes, sendo assim, tendencioso para favorecer a classe dominante, ou seja, quem detém o poder?

Os ricos, então, se o Estado interfere na luta do rico contra o pobre, ele irá contra ele mesmo?

É lógico que não!

Por outro lado à interferência do Estado nas questões econômicas obriga os detentores do poder garantir o mínimo de sobrevivência, afim de que os menos favorecidos sejam tratados com o mínimo (e bota mínimo nisso) de dignidade.

Quando se privatiza, é como se tirassem recursos (do mínimo dos que se têm direitos) dos pobres e outras pessoas passam a comandar a economia de acordo com seus próprios interesses.

Existem áreas estratégicas para fortalecimento do poder soberano de um país, tais como:

Energia, comunicação, segurança, transporte, educação e recursos financeiros.

Quando se privatiza as estatais energéticas, o recurso de movimentação e de geração de energia que move a produção interna fica nas mãos dos empresários especuladores que colocam os preços como querem, pois não podemos viver sem energia.

A comunicação, como o que aconteceu com as empresas nacionais no final da década de 1990, é um setor estratégico, pois quem comanda a comunicação, influência na forma de pensar de um povo.

O transporte e a segurança esta ligada no nosso direito de ir e vir, ou seja, o Estado tem que garantir a segurança para que o cidadão cumpra com suas necessidades básicas de sobrevivência, como; trabalhar, estudar, se divertir e etc., o transporte entra na questão de que se eu não tiver o dinheiro suficiente, não posso me locomover, o que me impede de realizar as necessidades citadas anteriormente.

O investimento na educação é uma forma de socializar um povo, não só na questão financeira, mas também na questão intelectual de formação do cidadão, uma vez que a educação conscientiza (ou pelo menos deveria) o indivíduo.

Os recursos financeiros na mão da iniciativa privada, não passam para que recursos possam ser aproveitados em obras para o proveito de todos e sim de um pequeno grupo de pessoas que usam o dinheiro para se comprar tudo... Inclusive o poder, não gerando oportunidades de crescimento para os menores.

Fica aí minha mensagem...

Profº Frederico Machado F Rodrigues