terça-feira, 24 de março de 2009

Para entender a crise


Na primavera do ano de 2008, mais precisamente no mês de setembro, eclodiu nos Estados Unidos uma das mais fortes crises econômicas da história contemporânea. Essa balbúrdia se anunciava meses antes, em meados de 2007, quando o mercado imobiliário americano atravessava maus momentos em virtude do alto índice de inadimplência no pagamento hipotecário. Instituições de prestígio internacional como o Bearn Stearns, Merry Lynch, Lehman Brothers, City Group e a seguradora AIG acabaram não resistindo e quase chegaram à falência, não fossem os processos de estatização e a aquisição por empresas de capital estrangeiro.

A notícia da quebra destes bancos de investimento atravessou o Atlântico e chegou à Europa e Ásia. Temendo grandes perdas e alvoroçados por especulações que surgiam a toda hora, investidores ao redor do mundo, colocaram rapidamente suas ações à venda nas Bolsas de Valores. O impacto dessa ação foi devastador. Dow Jones, Frankfurt, Tóquio e Bovespa registraram índices muito baixos de operabilidade, adotando inclusive o circuit breaker(1) várias vezes ao dia.

Outro fator foi predominante para que o império Yankee chegasse à beira do precipício: o financiamento da guerra no Iraque. O alimento das cenas de horror e destruição no oriente médio custou aos EUA a cifra de U$3 tri - número equivalente à reserva de divisas da República Popular da China.

Apoiado na campanha antiterror e ainda alegando a existência de depósitos de armas químicas e biológicas em solo iraquiano, o ex-presidente republicano George Walker Bush enviou ao oriente médio em 2003, cerca de vinte mil soldados. A chegada das tropas estadunidenses ao Iraque representou um marco na era da tecnologia e da globalização. O mundo pode assistir ao vivo e de todos os ângulos, uma chuva de mísseis disparada contra a capital Bagdá.

Em terra, um verdadeiro massacre de civis cujos corpos confundiam-se com os de guerrilheiros e militantes sunitas – correligionários do ditador Saddam Hussein. Com a morte de seus principais ministros, a estrutura do poder iraquiano foi totalmente desfacelada, culminando na prisão do líder máximo do país.

Inglaterra e França, nações que tradicionalmente mantém relações estreitas com Washington, se opuseram à invasão. Após a tomada do controle em Bagdá, o governo Bush classificou a guerra como um grande passo rumo à democratização do Estado iraquiano. No entanto, protestos em todo o mundo rechaçaram a ação militar americana, desmoralizada pelas armas de destruição em massa jamais encontradas.

No aniversário de seis anos da derrubada de Saddam, os Estados Unidos contam os prejuízos da guerra. Seus títulos da dívida pública externa acumulam U$10 tri. Afundada numa onda de pessimismo, a indústria automobilística nacional começou a perder espaço para concorrentes asiáticas como a Hiunday e a Toyota. Em decorrência da queda brusca na venda de automóveis, empresas do calibre da GM – gigante do setor – anunciaram seus planos de demissão de funcionários. O desemprego da população americana já chegou ao índice de 7%.

No último trimestre de 2008, na tentativa de socorrer a economia norte americana o governo Bush em conjunto com o Fed(2) , presidido pelo economista Ben Bernank, adotou medidas significativas e baixou a taxa básica de juros a 2,0%. Tentando prevenir uma grave recessão no setor consumidor, o senado estadunidense aprovou um pacote de aproximadamente U$700 bi, para injetá-lo no mercado com o intuito de aquecer a economia e recuperar a liquidez do fluxo cambial.

Em janeiro deste ano, a população americana passou por uma transição histórica de governo. Pela primeira vez, um negro governará os Estados Unidos da América. Barack Hussein Obama assume a Casa Branca em meio a uma nuvem de euforia e esperança. Resta agora a nós, simples mortais, aguardar e torcer por um desdobramento positivo das articulações políticas do nobre democrata havaiano.


Allan David Silva - Acadêmico de jornalismo na Faculdade Araguaia e Consultor de Relacionamento na Atento Brasil S/A.



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(1)Circuit breaker - Uma condição de negociação que é adotada pelas Bolsas de Valores. Através do circuit breaker, o pregão é imediatamente interrompido toda vez que o índice representativo dos preços de um conjunto de ações tenha queda substancial. No caso da Bolsa de Valores de São Paulo, o circuit breaker é adotado quando o Ibovespa tem uma queda de 10%.

(2) FED – Banco Central Americano

2 comentários:

  1. Allan,

    Excelente analise da atual crise financeira que esta ocorrendo.

    Continue assim.

    Obrigado por postar no blog.

    O espaço é nosso!

    Profº Frederico Machado F Rodrigues

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  2. Allan,

    Gostei muito da forma como sistematizou a produçao do texto, e ainda a forma que abordou um assunto que é discutido em todas as padarias, mercados, salas de reuniões e em Bancos Centrais ...

    Gostei mesmo. Parabéns! Continue produzindo ...

    Paulo Roberto

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